Como os Correios chegaram à atual situação e como resolvê-la

Notícia publicada dia 11/02/2026 10:14

Tamanho da fonte:

Recuperar a empresa passa por decidir manter seu caráter público, voltado a atender as necessidades do país e de seu povo, não a interesses de empresas privadas que só querem o lucro!

Os Correios têm 362 anos de história, desde que foram criados em 1663. A atual Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) pública e estatal foi estabelecida em 20 de março de 1969, a partir da fusão do antigo Departamento de Correios e Telégrafos (DCT).

Essa longa história é desconsidera pela imprensa empresarial e pelos políticos da direta privatista quando se referem à crise por que passa a empresa. Deixam completamente de lado a importância e a necessidade dos Correios como empresa púbica, voltada a atender às necessidades do país e de sua população, não ao lucro privado, e colaboram para piorar a situação.

Desmonte

Os Correios sempre lucraram e repassaram 25% do lucro à União. Entre 2011 e 2016, transferiram R$ 5 bilhões acima do habitual. Nunca houve aportes financeiros diretos do Tesouro.

Para chegar na situação atual, houve método. A empresa perdeu 50 mil trabalhadores nos governos Temer e Bolsonaro. De 127 mil trabalhadores, hoje restam em torno de 78 mil em todo o país. E podem sair mais 15 mil, se perseverar o plano montado pelo atual presidente a empresa, que prevê mais um PDV.

Para se ter uma ideia do que isso significa, a empresa pública de serviço postal dos Estados Unidos tem mais de 600 mil funcionários. Como o Brasil, que tem território e dificuldades territoriais e logísticos muito parecidos, pode ter apenas 78 mil e ainda esperar que a empresa funcione e dê lucro?

E tem mais. No mesmo período houve um desinvestimento brutal: mais de mil setores, entre agências e CDDs, foram fechados, com enorme precarização das unidades restantes e queda das condições de trabalho.

Houve ainda um ataque enorme aos direitos da categoria. Em 2020, no primeiro ano do governo Bolsonaro, em plena pandemia, com gente morrendo e trabalhadores adoecendo, sem a mínima condição de organizar a luta de resistência, foram retiradas mais de 50 cláusulas do acordo coletivo.

Aquele governo ficou nú, mostrou sua verdadeira face quando, depois de todo o desmonte que promoveu, colocou a companhia no Programa Nacional de Desestatização – Privatização (PND).
Fez isso num momento em que era possível fazer o contrário, porque o comércio eletrônico crescia rapidamente e a ECT tinha estrutura para suportar o aumento das encomendas e, com isso, crescer e amplia a lucratividade.

Em vez de investir, inovar e modernizar, parou, entregou o mercado para as empresas privadas (que só cresceram desde então) e piorou a situação dos Correios.

Saídas para manter e fortalecer a empresa pública estatal

O atual governo barrou a privatização dos Correios. Foi um grande feito, mas parou por aí. A crise foi piorando e nada do governo apresentar um projeto consistente. Até o atual presidente da empresa divulgar um plano de recuperação moldado para empresas privadas, comerciais, que almejam o lucro a qualquer custo, não o atendimento dos interesses do país e de sua população.

O plano tem mais um PDV com objetivo de tirar mais 15 mil dos quadros da empresa. Mais fechamento e extinção de setores, mais diminuição da estrutura, mais ataque a direitos dos trabalhadores (ao ponto de apelar ao STF para derrubar uma sentença do TST favorável à categoria). E por fim um empréstimo junto a bancos privados com pagamento de juros extremamente altos. Assim não dá! Nada vai melhorar!

Para recuperar os Correios como empresa pública forte, é preciso:

1- Ter um projeto de manutenção e fortalecimento dos Correios enquanto empresa pública estatal prestadora de serviços à sociedade, ao próprio governo e ao país.

2- O governo entrar com os recursos necessários, com aportes do tesouro nacional (como ocorre em vários países, entre eles os EUA, que só em 2025 cobriu um déficit de 9 bilhões de dólares nos Correios públicos de lá (cerca de R$ 50 bilhões), valor aprovado no Congresso Nacional.

3- Adotar um modelo que já vigora em outros países, em especial no continente europeu, com a criação de um fundo de financiamento com contribuição das empresas privadas do setor, que devem ajudar a custear o serviço postal em áreas deficitárias, uma vez que lucram com os serviços nas áreas nobres e não cumprem nenhuma função social. Polônia e Espanha são exemplos centrais desse modelo, criado para cobrir o chamado “custo líquido” dos Correios, vindo da obrigação da empresa estatal manter sozinha a universalidade dos serviços (a garantia do atendimento a toda a população em todo o território) e serviços sociais relevantes (como a distribuição de vacinas, livros didáticos e urnas eletrônicas) sem o subsídio cruzado para sustentar.

Para entender melhor essa situação e essas propostas, leia a entrevista publicada no Portal Outras Palavras, “A encruzilhada dos Correios”, com o Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), Igor Venceslau, que comandou estudos sobre os Correios, e Douglas Melo, Diretor de Comunicação do SINTECT-SP, da FINDECT e da CTB.

Leia o conteúdo completo da notícia do Outras Palavras no link abaixo:

https://outraspalavras.net/alemdamercadoria/encruzilhada-dos-correios/

Compartilhe agora com seus amigos