Cortes no governo Temer levaram à perda da patente internacional da polilaminina, pesquisa desenvolvida na UFRJ
Notícia publicada dia 24/02/2026 12:13
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A professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que há 25 anos coordena pesquisas sobre a polilaminina, substância com potencial para auxiliar na recuperação de lesões medulares, denunciou que a falta de recursos durante o governo Michel Temer, período marcado por cortes no orçamento da ciência, levou à perda da patente internacional da tecnologia. O caso tornou-se símbolo dos impactos da descontinuidade no financiamento público sobre a soberania científica brasileira.

A revelação de que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina por falta de recursos financeiros trouxe novamente à tona o debate sobre os efeitos dos cortes orçamentários na ciência pública. O período coincide com a política de cortes de investimentos adotada durante o governo Michel Temer, que afetou diretamente o financiamento das universidades e da pesquisa científica.
A informação foi confirmada pela própria pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que coordena há 25 anos o estudo sobre a substância. A polilaminina é resultado de décadas de investigação científica e apresenta potencial para auxiliar na recuperação de movimentos em casos de lesão medular, representando uma esperança concreta para milhares de pacientes.
Segundo a pesquisadora, a falta de recursos naquele período inviabilizou a manutenção da patente no exterior, o que levou à perda da proteção internacional da tecnologia. O episódio não se resume a uma questão administrativa: ele revela como decisões políticas e orçamentárias podem comprometer avanços estratégicos para o país.
Pesquisa científica exige continuidade, planejamento e investimento estável. Quando há descontinuidade no financiamento, não se interrompe apenas um fluxo financeiro — colocam-se em risco anos de trabalho, inovação e a possibilidade de o Brasil fortalecer sua soberania tecnológica.
A situação reforça a importância de instituições públicas sólidas e valorizadas. Assim como a ciência desenvolvida nas universidades federais, empresas públicas estratégicas desempenham papel essencial para o desenvolvimento nacional.
Os Correios são um exemplo dessa função social. A empresa garante integração territorial, atendimento universal e serviços essenciais à população, inclusive em localidades onde o setor privado não atua por falta de interesse econômico. Enfraquecer estruturas públicas significa comprometer direitos e ampliar desigualdades.
Para o diretor do SINTECT-SP, Milton Jacaré, o caso evidencia a necessidade de compromisso permanente com o investimento público. “Quando faltam recursos para proteger uma tecnologia construída ao longo de 25 anos de pesquisa, o país demonstra o quanto ainda precisa tratar ciência e patrimônio público como prioridade. Investimento contínuo é sinônimo de desenvolvimento, soberania e justiça social”, afirmou.
O episódio reforça uma lição fundamental: ciência, tecnologia e empresas públicas estratégicas não podem ser tratadas como despesas descartáveis. São pilares essenciais para um projeto de país que valorize o conhecimento, reduza desigualdades e promova desenvolvimento com inclusão social.

