Dia das Mulheres será marcado por protestos contra feminicídio e violência de gênero
Notícia publicada dia 07/03/2026 10:13
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O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março, será marcado por manifestações em diversas cidades brasileiras. Em São Paulo, trabalhadoras dos Correios, movimentos sociais e organizações da sociedade civil irão às ruas para denunciar o aumento dos casos de feminicídio no país, cobrar políticas públicas mais eficazes de proteção às mulheres e defender direitos, igualdade e melhores condições de trabalho.

Embora o 8 de Março seja internacionalmente reconhecido como uma data de celebração das conquistas femininas, a realidade brasileira impõe um tom de alerta e mobilização. Nos últimos anos, o país tem enfrentado números preocupantes de violência de gênero, especialmente no que se refere ao feminicídio — crime caracterizado pelo assassinato de mulheres em razão de seu gênero.
Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que mais de 1.460 feminicídios foram registrados no Brasil em 2024, um dos maiores números desde que o crime passou a ser tipificado no país. Em 2025, a tendência de alta continuou sendo observada em diversos estados, reforçando a preocupação de especialistas e entidades de defesa dos direitos das mulheres.
Em 2026, os dados preliminares já indicam que o cenário permanece alarmante. Levantamentos iniciais apontam que o país continua registrando uma média aproximada de quatro mulheres assassinadas por dia em crimes relacionados à violência de gênero.
Grande parte desses crimes ocorre dentro do ambiente doméstico e é cometida por companheiros ou ex-companheiros, evidenciando que a violência contra a mulher ainda está profundamente enraizada em estruturas sociais marcadas pelo machismo e pela desigualdade.
Para a secretária da Mulher do SINTECT-SP, Michele Souza, o 8 de Março precisa ser encarado como um momento de mobilização e conscientização.
“O Dia Internacional da Mulher é um momento importante de reflexão, mas também de luta. Não podemos aceitar que tantas mulheres continuem perdendo a vida por causa da violência de gênero. Precisamos de políticas públicas eficazes, prevenção, proteção às vítimas e punição rigorosa aos agressores”, afirma.
Além da denúncia da violência, as mobilizações também trazem à tona debates sobre as condições de trabalho enfrentadas por muitas mulheres brasileiras. Entre os temas levantados está a crítica à escala de trabalho 6×1, que exige seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.
Esse modelo de jornada tem sido apontado por especialistas e movimentos sindicais como um fator que amplia desigualdades sociais, especialmente para mulheres que acumulam múltiplas responsabilidades, como trabalho, cuidados familiares e tarefas domésticas.
“Quando falamos da vida das mulheres, também precisamos falar sobre trabalho digno, igualdade salarial e respeito no ambiente profissional. A luta contra a violência passa também pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, reforça Michele Souza.
As mobilizações deste 8 de Março também fazem um chamado à sociedade e aos homens para que participem ativamente do enfrentamento à violência de gênero. O combate ao feminicídio exige mudanças culturais profundas e o compromisso coletivo com o respeito às mulheres.
Em São Paulo e em todo o país, a mensagem das ruas será clara: celebrar conquistas é importante, mas defender a vida das mulheres é urgente.

