Em ano eleitoral, fim da escala 6×1 opõem esquerda e direita

Notícia publicada dia 28/02/2026 13:02

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Partidos e parlamentares de esquerda apresentaram o projeto, apoiado pelo governo Lula, e lutam pela aprovação; extrema direita, direita e centro querem manter essa jornada desumana e os lucros empresariais baseados na superexploração da mão de obra do trabalhador.

As pesquisas não deixam dúvidas. Desde que o assunto foi colocado em pauta a partir da luta do movimento VAT, Vida Além do Trabalho, a discussão se popularizou e hoje a maioria da população quer o fim da escala 6X1.

A partir da iniciativa de parlamentares de esquerda, o tema chegou ao Congresso Nacional com a apresentação de um Projeto de Lei. O governo Lula abraçou a proposta e pressiona pela tramitação e aprovação do PL na Câmara.

Mas nada que interessa aos trabalhadores é simples num Congresso de maioria patronal.

Os partidos de extrema direita, direita e centro representam os interesses patronais. Como sempre, estão defendendo as propostas dos empresários, que não querem alteração alguma. O PL, partido que vai lançar um candidato da extrema direita para se contrapor à candidatura do presidente Lula, está na cabeça desse grupo.

O que querem os empresários? Manter altas cargas de trabalho como forma de explorar mão de obra barata e lucrar mais. E dizem que se acabar a jornada 6X1, a economia será prejudicada.

O presidente do partido de extrema direita Republicanos, o mesmo do governador de São Paulo, teve a coragem de dizer que os pobres (os trabalhadores) “não tem condições de fazer lazer pagar e ‘infelizmente’ não passariam tempo com a família” e se tiverem mais tempo livre vão cair no jogo e na droga.

Mais tempo livre, mais produtividade

Enquanto os empresários e seus partidos dizem que a mudança prejudicaria a economia, todas as evidências e estatísticas mostram o contrário.

O trabalhador com mais tempo pra o descanso e o convívio familiar é mais produtivo. Consegue descansar melhor, o que reduz exaustão, estresse e doenças, elevando o foco e a motivação. O tempo maior para si próprio e o convívio familiar e com amigos também melhora a qualidade de vida, diminuindo absenteísmo e aumentando a eficiência por hora trabalhada.

Pesquisa realizada pelas universidades de Boston e University College Dublin em julho de 2025 analisou dados relacionados à produtividade e ao clima organizacional. O resultado foi inequívoco: trabalhar menos horas, mas com o mesmo salário, não apenas não prejudica as empresas, como pode torná-las mais eficientes.

Mas o que é a produtividade?

É o aumento da produção relacionado ao uso da tecnologia. Atualmente há avanços rápidos nesse sentido em todas as áreas produtivas e de serviços.

Avanços tecnológicos e novas máquinas devem ser usados para agilizar processos e ajudar a produzir mais em menos tempo. E não para demitir trabalhador, como fazem os empresários ligados aos partidos de extrema direita, direita e centro direita.

O exemplo dos Correios explica isso. A falta de investimento em maquinário e tecnologia sobrecarrega os trabalhadores, torna os processos mais lentos, diminui a qualidade dos serviços de entrega.

A tecnologia tem de ser usada para melhorar isso, aumentar a produtividade e permitir a redução da jornada dos trabalhadores e o barateamento dos produtos e serviços para a população.

Mas se depender dos partidos do empresariado, isso nunca vai acontecer, nem nos Correios nem em empresa nenhuma.

Quem defende a diminuição da jornada quer o melhor para o trabalhador

Os partidos patronais e a mídia empresarial criticam o governo, e o próprio presidente, por apoiar o fim da escala 6X1. Dizem que isso não pode acontecer em ano eleitoral, porque vai gerar apoio ao candidato do governo e da esquerda.

Não passa de uma desculpa mentirosa de quem nunca quis reduzir a jornada. Daqueles que querem manter a superexploração da mão de obra da classe trabalhadora e a imensa diferença econômica e social que existe no país. É rico querendo ficar cada dia mais rico mantendo o pobre cada dia mais pobre e trabalhando mais. É o que há de mais atrasado, defasado e injusto!

O SINTECT-SP está na luta pelo fim da escala 6X1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Junto com isso luta por investimento governamental nos Correios e valorização dos ecetistas, para gerar melhorias para toda a sociedade! E conta com o apoio e a participação de toda a categoria nessa luta!

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