Governo decide cumprir sua obrigação constitucional e avalia financiar a entrega de correspondências

Notícia publicada dia 09/02/2026 15:14

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O número absurdo de correspondências paradas nos CDDs em todo o país é resultado da falta de funcionários, de equipamentos e transporte para a entrega.

Com o anúncio de que avalia pagar pela entrega dessas correspondências, o atual governo cumpre uma obrigação. Mas enfrenta a resistência da oposição de direita e da mídia empresarial (privatistas).

Em recente entrevista, o Ministro Fernando Haddad destacou que o grande desafio enfrentado pelos Correios é justamente o de assegurar a universalização dos serviços postais, com a manutenção de agências e entregas em todos os 5.570 municípios brasileiros — inclusive nas áreas remotas onde a iniciativa privada jamais teria interesse comercial, por não ser sustentável financeiramente. A legislação obriga essa prestação de serviço postal em todo o território nacional.

Historicamente, essa obrigação tem gerado custos elevados à ECT, justamente porque muitos desses serviços não são auto sustentáveis e, por isso, não atraem investimentos da iniciativa privada. A compensação financeira que poderia vir do segmento de encomendas — responsável pela maior fatia de receitas em operações postais — foi perdida após o fim da exclusividade dos Correios nesse setor, dominada hoje por plataformas que precarizam direitos e serviços como o Mercado Livre, Amazon e outras transportadoras privadas, que não contribuem para o custeio da universalização dos serviços postais prestados pela estatal, mantendo apenas participação no mercado lucrativo de encomendas.

Essa combinação — serviço universal obrigatório sem fontes financeiras suficientes — resultou em uma crise estrutural que compromete a qualidade do atendimento em todo o país.

O ministro Haddad afirmou, ainda, que essa é uma dificuldade que se observa também em outras partes do mundo e que a privatização não tem sido adotada como solução em nenhum lugar como resposta ao problema. Assim, o governo federal busca alternativas dentro do setor público para reestruturar e fortalecer os serviços postais sob gestão estatal.

Necessidade versus oposição

Embora o atual governo tenha cumprido a promessa de campanha de barrar a privatização dos Correios, não avançou rapidamente na formulação de um projeto robusto de recuperação e modernização da empresa, permitindo que o processo de sucateamento iniciado por administrações anteriores continuasse a agravar a situação operacional.

O anúncio do financiamento para a entrega de correspondências atende a uma necessidade urgente e inadiável — mas precisa ser acompanhado por um projeto de fortalecimento dos Correios, com aportes de recursos da União e sem se apoiar em medidas que reduzam ainda mais o quadro de trabalhadores por meio de demissões ou terceirizações que deterioram ainda mais o serviço.

Críticas à iniciativa do governo federal têm sido intensas por parte da oposição de direita e da mídia empresarial com orientação privatista, que questionam a regularidade das ações e ameaçam investigações, como CPIs. No entanto, tais setores optam por ignorar o passado recente de desinvestimento e tentativa de privatização — onde estão as raízes da crise atual.

O SINTECT-SP reforça que os trabalhadores não podem pagar pela crise que não criaram, e que cabe ao governo federal financiar e assegurar a universalização postal, garantindo que os Correios estejam presentes em todos os municípios brasileiros, conforme a lei determina. Ao mesmo tempo, é essencial assegurar os direitos e benefícios dos trabalhadores que sustentam o serviço postal.

A luta, como sempre, está em pressionar o governo por um projeto concreto de fortalecimento dos Correios e por respeito aos direitos da categoria, reconhecendo o papel estratégico da empresa para o Brasil.

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