A importância de manter o Correio público estatal, com ou sem lucro

Notícia publicada dia 13/02/2026 11:29

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Serviço universal, com atendimento igualitário a toda a população e todo o país, a manutenção da rede logística estruturada, a realização de serviços sociais e a segurança em serviços como distribuição das urnas eletrônicas, de vacinas e medicamentos do SUS e transporte de processos judiciais sigilosos são responsabilidades que só a empresa estatal pode assumir.

No artigo “A encruzilhada dos Correios”, publicado no Portal Outras Palavras (veja AQUI), o entrevistado Igor Venceslau, Dr. Em Geografia Humana e especialista em Correios, traz o conceito do Geógrafo Milton Santos de “fixos públicos” para explicar a necessidade de manter o Correio público estatal, com ou sem lucro.

No conceito de Milton Santos, “os ‘fixos públicos’ seguem uma política redistributiva para assegurar direitos básicos em qualquer localidade”. Essa é a lógica que permeia o Correio na maior parte dos países e deveria também ser adotada no Brasil. Trata-se de priorizar um “modelo cívico do território, substituindo a lógica econômica pela garantia de acesso universal aos serviços essenciais”.

Em contraponto a ela está a noção de “fixos privados”, que são “controlados pelo mercado e concentrados onde há maior lucratividade”. Esse é o modelo que está dominando o serviço postal brasileiro com a atual crise da ECT, e que será perpetuado caso haja uma privatização ou mesmo se o governo não assumir um plano de valorização e fortalecimento da estatal, com recursos públicos.

A questão colocada é, portanto, se o governo brasileiro, que fala em não privatizar, vai propor e bancar um projeto de recuperação, fortalecimento e crescimento da ECT com recursos públicos, mantendo o seu caráter público estatal, voltado a atender as necessidades do país e de seu povo, ou se vai persistir na proposta apresentada pelo atual presidente, que não faz nada disso, enfraquece a empresa e a consolida como um braço auxiliar das empresas privadas.

A sociedade não conhece o papel estratégico dos Correios. Não sabe que, sem ele, quem operar vai querer lucro. E que isso fará tudo ficar mais caro para os cofres públicos, derrubará a eficiência, a qualidade e a segurança do serviço prestado pelos Correios. Apoio social de uma rede logística ampla e superestruturada (a dos Correios) em momentos de catástrofes, por exemplo, pode esquecer. A não ser que o governo pague, é bem.

Explicar isso para todos é tarefa de cada trabalhador e trabalhadora ecetista!

Formas para manter o Correio público estatal são apresentadas nessa matéria AQUI do Outras Palavras.

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