Intervenções e PDI com milhares de adesões ampliam desmonte nos Correios e demais estatais

Notícia publicada dia 20/02/2021

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Desmontar e sucatear os Correios, Petrobrás e demais estatais para privatizar a preço baixo é uma das expressões da face neoliberal do governo Bolsonaro, que precisa ser combatida pelos trabalhadores, e o PDI é uma parte desse processo nos Correios!

O número de ecetistas que aderiram ao PDI 2021 foi superior até ao que a direção da ECT projetava. Isso demonstra que os ataques aos direitos e aos benefícios, a sobrecarga e a pressão interna entre outros artifícios usados pela empresa para desmotivar a categoria, estão tendo efeito.

Mas é necessário resistir. A categoria precisa estar unida e junto com o Sindicato se mobilizar na defesa dos direitos, dos empregos e dos Correios estatais e de qualidade.

Essa é a única maneira de melhorar a atual situação e não se arriscar num mercado de trabalho que está em profunda crise e oferece cada dia menos oportunidades, e ao mesmo tempo lutar contra a privatização.

Guedes e Bolsonaro impondo sua política destruidora

O quadro de funcionários dos Correios já está muito defasado há vários anos. E os PDIs pioram a situação e ampliam o desmonte a que a ECT está sendo submetida.

A direção da empresa e o governo atuam para que isso se agrave. Querem sucatear para derrubar a credibilidade e a aprovação popular, para obter apoio para a privatização ao mesmo tempo em que abaixam o valor da empresa para entregá-la a preço de banana, ou para extingui-la mesmo, ou ainda para abrir seu capital e vender ações baratas na bolsa de valores.

Governo neoliberal

Essa política privatizante é parte do projeto do governo Bolsonaro, que além de conservador nos costumes, é neoliberal na economia. Isso quer dizer que a política econômica dele e de seu ministro Paulo Guedes é a esperada pela corrente neoliberal.

Essa corrente é dominante entre os empresários nacionais e estrangeiros hoje. Eles querem o fim das leis e dos direitos trabalhistas para ampliar seus lucros, e a privatização de tudo, para extrair lucro dos serviços e áreas produtivas controladas pelo estado através do serviço público e das estatais.

É essencial que o público e o estatal sejam mantidos e melhorados. Eles significam o atendimento das necessidades e direitos da população, sobretudo a de baixa renda. Se tudo for privado, só quem puder pagar caro vai ter acesso a serviços como o postal, a saúde e a educação. E a produtos como eletricidade, gás de cozinha e água.

Privatização só traz prejuízos

O que esses empresários querem, e o governo faz, é desmontar o patrimônio público, que é tudo que foi construído ao longo dos anos com dinheiro do povo para atender suas necessidades. Os neoliberais querem controlar tudo para ficarem ainda mais ricos, enquanto o povo fica mais pobre e desassistido.

O que está ocorrendo com a Petrobras dá um exemplo disso. Ela é hoje uma empresa de capital aberto, com ações na bolsa. Quase metade das ações estão nas mãos de especuladores nacionais e estrangeiros. Eles querem valorizar seus papéis e lucrar alto. Para tanto, pressionam a direção da empresa para ela atuar em função disso.

É por isso que mesmo com a alta produção nacional, o petróleo é cotado aqui em preços internacionais. Seus derivados também, como o diesel e o gás de cozinha. Eles poderiam estar com preços acessíveis, como ocorre em outros países produtores, mas estão tão caros que grande parte do povo nem pode pagar.

Aumento constante dos preços dos combustíveis e mudança no comando da Petrobrás

Enquanto a população brasileira enfrenta sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis – somente este ano foram quatro -, que vêm na esteira da política de preços da Petrobras e que têm causado pressão da sociedade, principalmente dos caminhoneiros, sobre o governo, o presidente Jair Bolsonaro decidiu trocar o comando da estatal.

Para o economista, Marcio Pochmann – (Unicamp), “A troca de comando na Petrobras não parece ser um ato isolado de Bolsonaro. Possivelmente encontra-se em curso uma inversão do próprio governo, assim como no início de 2020, quando afastou-se do lavajatismo, provocou uma espécie de cavalo de pau na condução da economia, fazendo o maior déficit público da história do país, ampliando programa de garantia de renda para uma base social que praticamente desconsiderava até então.

O desmonte promovido por esse governo através da “venda” de nossas refinarias só vai agravar os efeitos de uma política benéfica apenas aos acionistas neoliberais, que apoiam esse governo genocida, que abandona o povo ao relento da COVID-19 sem vacinas, cortando direitos e promovendo ataques aos trabalhadores dos Correios e demais estatais.

Defender os Correios

O mesmo ocorreria se os Correios fossem privatizados, extintos ou tivessem ações vendidas na bolsa de valores. Em qualquer dessas formas, ele atuaria em função dos lucros dos empresários e seus proprietários, e não dos interesses e necessidade do país e seu povo.

Com os Correios funcionando pela lógica do lucro, ou com ele destruído e o mercado dominado pelas empresas de logística nacionais e estrangeiras, o direito da população à comunicação postal não seria garantido, nem a integração nacional e os serviços essenciais feitos hoje pela ECT através da sua rede nacional, como a distribuição de vacinas, medicamentos e provas do Enem.

A entrega das estatais e o desmonte do patrimônio público promovido pelo governo, para atender os interesses dos empresários, e a efetivação dessa política nos Correios pela direção militar da empresa, exigem a união e a resistência da categoria para o combate, ao lado da FINDECT e do seu Sindicato.

Por: FINDECT

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