Direção promove criadouro de coronavírus na ECT e esconde número real de contaminados

Notícia publicada dia 26/06/2020

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Documento ao qual o Sindicato teve acesso mostra que a quantidade de trabalhadores com atestado médico por testar positivo para Covid-19 é várias vezes maior que o divulgado, deixando claro que a direção da empresa aplica a mesma política do governo Bolsonaro, de esconder a realidade para seguir sua ação genocida!

O número oficial de casos em Moema é apenas um. Mas um documento da GERAE 3 ao qual o Sindicato teve acesso mostra 31 processos abertos na unidade a partir de atestados médicos dos trabalhadores.

A direção da ECT aderiu à sonegação de dados bolsonarista para esconder a realidade, como mostra o segmento. E o GERAE 3 se esforça para ser seu mais fiel seguidor, escondendo os números e se negando a tomar medidas nos setores em que o vírus se prolifera.

Zona Sul agoniza

A ação dessa GERAE é ainda mais criminosa frente à situação da Zona Sul da capital. Boletim da prefeitura do dia 23 de junho mostra aceleração de casos na região. Já são cerca de 30 mil testes positivos, o que corresponde a parte do total, uma vez que só há testagem dos que apresentam sintomas e procuram atendimento médico. Os assintomáticos, que são a maioria, e os que ficam em casa não entram na estatística.

É nessa nuvem de vírus que a GERAE age, colaborando para a situação ficar ainda pior na região. Mantém o efetivo dos Correios nas ruas, em contato com a população e com o vírus, e aglomerado nos setores, sem o devido distanciamento. Fornece apenas uma mascarazinha e não toma medidas básicas no setor em que há testagem positiva, só quando o Sindicato obriga através da justiça.

Política genocida

A direção da ECT e seu GERAE produzem um criadouro de coronavírus nos Correios. Colocam todos os funcionários aglomerados, mudando seus os horários de entrada e colocando em risco de adoecer e morrer e contribuem para o caos social que cresce a cada dia.

É fácil comprovar isso. Basta olhar as diretrizes que o governo de São Paulo anunciou para a volta às aulas no ensino público após 8 de setembro. Embora irreais, por considerar uma escola sem problemas estruturais e falta de funcionários que não existe, segue as orientações da OMS e demais autoridades de saúde e as experiências internacionais.

Essas diretrizes mostram que os Correios estão fazendo tudo errado e contribuem para a proliferação do vírus.

Alguns exemplos:

●As diretrizes preveem volta de 35% do efetivo de alunos e funcionários na primeira etapa, caso o município atinja a fase verde, final da pandemia, com distanciamento obrigatório de 1,5 mts entre as pessoas em todos os ambientes.

OBS: em plena fase aguda, de contaminação crescente, os Correios não fizeram revezamento de efetivo nos setores nem escalonamento de horários para evitar aglomeração na entrada e saída, na refeição e durante o expediente, muito pelo contrário

●Disponibilizar os EPIs necessários aos funcionários para cada tipo de atividade e fornecer água potável de modo individualizado.

OBS: Nem isso a direção da empresa segue; só disponibilizou itens de higiene e segurança depois de pressão do Sindicato e em quantidade insuficiente, como no caso das máscaras.

●Medir a temperatura e monitorar sintomas diariamente, afastar pessoas sintomáticas para COVID-19 do local de trabalho e testar todos os suspeitos de contaminação e os que tiveram contato com os diagnosticados positivo.

OBS: a direção da empresa esconde os casos e só toma medidas quando o Sindicato obriga através da justiça.

●Higienizar os prédios e os ambientes de trabalho (banheiros, lavatórios e vestiários inclusos), particularmente as superfícies e objetos que são manipulados e tocadas por muitas pessoas, grades, mesas trabalho e de refeitórios, puxadores de porta, maçanetas, fechaduras e corrimões antes do início do expediente em cada turno e sempre que necessário.

OBS: nesse caso a direção da empresa também só toma medidas mais eficientes quando o Sindicato obriga através da justiça, ainda assim parcialmente.

●Manter os ambientes bem ventilados com as janelas e portas abertas e ventiladores funcionando.

OBS: o Sindicato denuncia insistentemente as condições precárias de inúmeros prédios que abrigam setores de trabalho da ECT, que demora para tomar providências e, na maioria dos casos, nada faz.

●Promover o colhimento socioemocional dos trabalhadores contaminados e adoecidos.

OBS: É capaz da empresa punir e culpabilizar quem contrair o vírus.

A definição do serviço postal como essencial não dá direito à direção da empresa de nada fazer, de jogar os trabalhadores na fogueira da contaminação e da morte, desprotegidos nas ruas e aglomerados nas unidades, à própria sorte e, ainda por cima, esconder a realidade para dizer que está tudo bem! É uma política criminosa e genocida, que vai prejudicar a vida de milhares de trabalhadores e matar parte deles.

Em nome do que mesmo? Exigimos respeito à vida do trabalhador ecetista!

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