Se houver privatização, trabalho no Correio será uberizado, precário e informal

Notícia publicada dia 14/06/2021

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● Todas as empresas do setor de entregas interessadas em controlar o setor postal querem implantar a realidade dos motoboys, motoristas e outros entregadores que trabalham por aplicativos, fenômeno conhecido como uberização da mão de obra.

● A luta contra a privatização é também para barrar esse projeto e os enormes retrocessos e perdas que ele representa para quem depende do seu trabalho para sobreviver!

O que é uberização? É decisivo saber, porque o governo, a direção militar dos Correios e as empresas interessadas na privatização planejam uberizar o trabalho no setor postal. O tema já foi até discutido e aprovado no Conselho de Administração da ECT.

Em resumo, significa tornar todos os trabalhadores dos Correios e de logística em entregadores por aplicativos, sem registro em carteira, sem direitos, sem um salário decente. Realidade que já é dominante entre os motoboys e ciclistas, trabalho que resta hoje à maioria dos jovens pobres e periféricos.

Mais exploração

O produto mais cobiçado no mundo é a força de trabalho. É dela que sai o grosso dos lucros das empresas. Por isso, por mais que elas introduzam tecnologia e maquinário, nenhum processo trará mais lucro do que a exploração da mão de obra do trabalhador. Quanto menor for o valor pago a ele, em relação ao que produziu, mais a empresa lucra.

Na estrutura atual do capitalismo, a exploração da mão de obra está sendo facilitada pelos avanços tecnológicos.

Através dos aplicativos, da internet e dos programas de computador, eles criam as bases para o trabalho remoto, intermitente, parcial, em que o trabalhador fica 24 horas por dia à disposição, mas só recebe pelas horas efetivamente trabalhadas. Como um motorista de Uber ou um motoboy da Rappi.

Daí deriva a desregulamentação do trabalho, a precarização, o fim dos direitos e da legislação trabalhista, das negociações coletivas e do vínculo empregatício.

É o resultado da apropriação privada da tecnologia pelas empresas, pelo capital. Ela é construída e melhorada progressivamente pelo empenho e trabalho de toda a sociedade, mas não é colocada a serviço do bem-estar de todos, só dos endinheirados.

Empresário de si próprio, empreendedor ou trabalhador superexplorado?

Tudo isso leva o trabalhador a ser obrigado a atuar como empresário de si próprio, sem carteira assinada, sem benefícios, com seu próprio veículo, pagando combustível e manutenção do seu bolso.

E também a ser responsável por sua segurança e sua vida. Se sofrer acidente, tiver o veículo que ainda está pagando roubado ou precisar de qualquer ajuda, tem que se virar sozinho.

É uma exploração modernizada e ampliada. A ideologia martelada na cabeça de todos, principalmente dos mais jovens, prega isso como moderno. Como empreendedorismo, num sistema em que trabalhava quando se quer.

Mentiras para enganar quem quer ser enganado ou não consegue enxergar a realidade de que, quem trabalha em entregas por aplicativo, é super explorado através de uma lógica sofisticada.

A inteligência artificial automatiza o aplicativo. É montada, e se aperfeiçoa continuamente, para manipular o trabalhador e fazê-lo atuar o máximo de horas por dia, em busca de recursos para pagar suas contas. E ele vai, porque tem que apagar.

Dele é tirado o máximo possível. Trabalha cada dia mais e ganha cada vez menos. E quando ele começa a adoecer ou a reclamar, é encostado pelo aplicativo. E não pode recorrer a ninguém, porque não há nenhum vínculo empregatício ou contratual.

Resistir para não sofrer mais

Se esse processo não for controlado pelos trabalhadores, vai piorar. Hoje o aplicativo é um grande coletor de dados. Ele já mede e registra quanto cada trabalhador aguenta ser explorado, até explodir.

Cria um banco de dados com registros de quantos meses a pessoa suporta trabalhar 12 horas por dia, sob sol e chuva, sem assistência médica ou alimentação garantida pela empresa, com seus próprios recursos. Depois disso a descarta. O perfil desse trabalhador é montado e fica à disposição dos empregadores.

É isso que a direção militar da ECT, o governo neoliberal de Bolsonaro e as empresas de entrega e logística querem para os Correios.

Almejam controlar o setor postal para lucrar ao máximo nos grandes centros com essa fórmula de superexploração da mão de obra. As regiões que não dão lucro ficarão sem serviços, a não ser que as empresas explorem ainda mais o trabalho dos entregadores.

É uma lógica cruel para o trabalhador, que aumenta ainda mais a desigualdade de renda, a miséria e a fome. Entre na luta com seu Sindicato contra a privatização e por uma Campanha Salarial vitoriosa. Ajude a evitar um futuro sombrio e a construir um mundo mais justo e melhor!

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