Amazon tem parceria com o governo e quer a liquidação dos Correios

Notícia publicada dia 28/07/2020

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A parceria entre a Amazon e o poder executivo, os interesses dessa empresa no mercado nacional e o perigo que ela representa às empresas que atuam no mercado varejista online nacional estão em artigos publicados em vários veículos de imprensa e precisam ser conhecido de todos.

Veja texto (carta) de Henrique Colares, membro da oposição FINDECT no Rio Grande do Sul.

Caro General Floriano Peixoto:

A empresa de Correios não pertence a um determinado governo de ocasião, como o Brasil não pertence à “Amazon” ou ao Banco BTG Pactual, “sócios” num bom negócio nos EUA, no chamado “BTG Pactual Digital”, operadora financeira que oferece aos clientes um poderoso sistema de inteligência artificial para gerenciar investimentos no mercado financeiro.

Não vemos problemas em conhecermos as relações societárias e os interesses de mercado que existem entre empresas de porte como a Amazon ou um banco, como o BTG Pactual e, entre estes e os governos.

Os “problemas” surgem quando nos deparamos com o FATO (publicado na imprensa nacional) de que é a Amazon a principal interessada na venda ou liquidação dos Correios e – além disso – esses ‘problemas’ ganham uma ‘agravante preocupação’: a Amazon já é parceira do governo federal desde abril do corrente ano, no que se refere à manipulação dos dados de nossos ministérios em Brasília, através da empresa AWS – uma divisão da Amazon (também conforme matéria exibida pela imprensa nacional).

Imagina que os dados de todos os usuários de programas sociais ou projetos ficarão disponíveis para Amazon. Pra quem faz ‘venda online’, esse tipo de informação é um diamante precioso e único!

Não bastasse isso, a Amazon “é a maior ameaça para nossas campeãs nacionais do mercado varejista online” (empresas que empregam milhares de pessoas no Brasil, e que têm nos Correios o seu principal parceiro e operador logístico), conforme a Associação Brasileira do Comércio Eletrônico, e a presença desta grande empresa estrangeira no marcado varejista tem sido denunciada como predatória por onde passa, a exemplo do que acontece hoje nos EUA (pelo uso ilegal de… dados de usuários!)

Em se tratando do chamado “Programa de Desestatização”, esse FATO, ou melhor, essa “parceria entre a Amazon e o poder executivo” – por si só – já a coloca numa situação de enorme vantagem frente a outras empresas potenciais interessadas na ECT, em caso de privatização.

E, SOMADO também ao fato de que o governo federal tem se servido dos estudos e relatórios fornecidos pelo mesmo banco, o BTG Pactual, para embasar suas ‘alternativas’ para o programa de desestatização, liderado pelo Ministério da Economia, essa “vantagem” real a uma das ‘maiores’ interessadas num certame tem tudo para produzir um grave prejuízo aos cofres públicos, além de configurar claro “desvio de finalidade”, amparado pelo direito pátrio.

Veja que ao contrário do ‘senso comum’ que considera a presença da estatal como prejudicial à iniciativa privada, na verdade, a presença dos Correios induziu e catapultou as empresas privadas nacionais do mercado varejista pra ocupar 10 das 20 posições de maiores empresas do e-commerce que atuam no Brasil, à frente – inclusive – da Amazon! Talvez, isso explique a real motivação que desperta a cobiça da empresa norte-americana – notoriamente conhecida pelas práticas anti-concorrenciais nos EUA (inúmeras ações estão sendo julgadas pela suprema corte daquele país, além de outros países).

Por fim,

Ao longo dos últimos 3 meses, as operações logísticas dos Correios para atender o e-Commerce, proporcionaram um acréscimo de 25% no faturamento da empresa, conforme matéria publicada na imprensa nacional.

Esse fato por si só deveria:

1. motivar a todos nós para as possibilidades que se abrem diante desse já hoje bilionário segmento/negócio; e,

2. Dar a Cezar o que é de Cezar, ou seja, valorizar a ECT e seus trabalhadores, bem como valorizar o Brasil e o que é do Brasil – o que, dito de outra forma, significa retirar da pauta do programa de desestatização a centenária, lucrativa e essencial Empresa Brasileira de Correios – sob pena de poder caracterizar uma ofensa ao direito constitucional, ao direito administrativo e ao direito penal.

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