Novembro – Mês da Consciência Negra

Notícia publicada dia 19/11/2016

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O racismo persiste e tem que ser combatido!

“Estou cansada de ver uma macaca de salto”. Essa frase, direcionada à 1ª Dama dos EUA Michelle Obama, foi postada numa rede social por uma executiva americana, e endossada por uma prefeita. Depois dela sobe-se que durante seus oito anos de mandato, Barack Obama – o primeiro presidente negro da História dos Estados Unidos – e sua família foram alvos de repetidos insultos racistas.

No Brasil não é diferente.

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A vítima da vez é uma garotinha de apenas 2 anos. Titi, a malauiana adotada pelo casal de atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso. Um dos comentários na página do Instragram do casal afirma que “Vcs tinham que adotar uma menina de olhos azuis isso sim iria combinar e não aquela pretinha parece uma macaquinha #lugardepretoénaafrica!!!”.

Mas tem muito mais.

Em 2013, Carlinhos Brown e Helena Buarque de Hollanda foram morar em Salvador porque seus filhos foram vítimas de ataques racistas no condomínio onde moravam no Rio de Janeiro. O mesmo perfil atacou a cantora paraense Gaby Amarantos.

As redes sociais abriram um novo e cada vez mais preferencial espaço para ataques de intolerância e racismo. E eles crescem em novembro, Mês da Consciência Negra.

No ano passado chegou ao conhecimento do público ataques à jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo e à atriz Taís Araújo, no mês de novembro. Neste ano, as cantoras cariocas Ludmilla e MC Carol, além da rapper paulista Preta Rara forma vítimas de ofensas racistas em redes sociais.

Se gente rica, famosa e poderosa sofre com o racismo, o preconceito e a intolerância, imagina a gente preta simples, pobre e moradora da periferia!

Reparar é preciso

Pela herança histórica, que tem os séculos de escravidão como principal característica, a população negra sai em desvantagem na disputa social, cada vez mais acirrada nesta fase neoliberal do capitalismo.

É mais fácil a um negro, do que a um branco, ser pobre e desassistido, não completar os estudos por ter de trabalhar cedo, ser vítima do extermínio de jovens nas periferias das grandes cidades brasileiras ou ser tratado com preconceito e ter menos oportunidade no mercado de trabalho.

Por isso persiste a necessidade de políticas afirmativas, como as cotas nas universidades e nos concursos públicos, para valorizar o trabalhador e cidadão negro mercado de trabalho e demais espaços sociais. É um caminho para, num futuro o mais próximo possível, ser possível afirmar que todos as pessoas têm as mesmas oportunidades de se desenvolver.

O combate nos Correios

A hierarquia da ECT não deixa dúvidas. Quantos chefes, gerentes ou diretores negras e negras você conhece? A maioria dirá “nenhum”, alguns apontarão um ou outro, e todos chegarão à conclusão de que é difícil demais para negros e negras chegar a posição de mando. Inúmeras outras situações hierárquicas e do cotidiano poderiam ser levantadas para demonstrar a desigualdade.

O atual Acordo Coletivo da categoria determina, em sua Cláusula 4, que os Correios “implementem políticas de enfrentamento ao racismo e de promoção da igualdade racial”. Entre elas estão:

-realização de campanhas constantes de conscientização;

-de estudos para inserir percentuais raciais de reserva de vagas de bolsas de estudo;

-promoção de ações de sensibilização à promoção da igualdade racial (especialmente no mês da Consciência Negra);

-levantamento de informações sobre cor/raça dos empregados(as) para detectar desigualdades e implementar ações para eliminá-las;

-e, principalmente, a constituição de um Grupo de Trabalho com representantes do Sindicato e da empresa para tratar sobre a igualdade racial e o enfrentamento ao racismo nos Correios.

Como se vê, nosso Acordo Coletivo contempla o necessário combate ao racismo e à discriminação na empresa. Mas a empresa tem sido negligente e não encaminhou nada do que está determinado nele.

O ACT precisa ser cumprido, o tema racial debatido e medidas tomadas, sob pena de tornar perpétua uma realidade que precisa ser exterminada para tornar o mundo mais humano e menos selvagem.

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