Para MPT, Guilherme Campos pratica assédio moral contra a categoria

Notícia publicada dia 19/12/2017

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A conclusão do Ministério Público do Trabalho se refere à ação de Campos para convencer os trabalhadores da ECT a aderirem ao plano de demissão voluntária – Como os argumentos e a forma que ele está usando para atacar o convênio médico e outros direitos são os mesmos, cabe perguntar se ele não continua assediando a categoria e até a população.

Em julgamento de ação proposta pela ADCAP, a procuradora do trabalho Renata Coelho concluiu que as declarações de Campos à imprensa configuraram assédio e coação aos trabalhadores.

“Inadmissível pensar que um gestor possa praticar todo e qualquer ato em seu cargo e adquira uma espécie de imunidade ampla e irrestrita”, escreve ela na sentença. Na avaliação dela, Campos usou seu cargo e as informações privilegiadas que tem para “chamar a mídia e por meio dela cometer abuso e gerar terror com ameaças. Guilherme Campos, em suas falas à imprensa, de caráter ofensivo, tenta justificar o déficit financeiro da empresa culpando os trabalhadores. Porém, há dados reunidos por federações e sindicatos dos trabalhadores que comprovam que esse déficit é fruto de sucessivos atos de má gestão.”

Como criaram o deficit?

Um déficit de 949 milhões apareceu em 2012, e cresceu nos últimos anos, mesmo com o faturamento crescendo. Antes dava lucro. O que mudou?
A forma de contabilizar o pós-emprego, ou seja, os recursos que devem ser guardados para garantir os diretos dos trabalhadores em caso de aposentadoria e desligamento voluntário ou por demissão. A montante contabilizado e o cálculo empregado criam um número final deficitário, que antes não existia.

Outra coisa que mudou foi a quantidade de recursos em caixa para ser aplicado e gerar dividendos para os investimentos produtivos e o custeio das despesas. Isso é determinante para a sustentação de qualquer empresa. Mas tiraram mais de R$ bilhões dos cofres da ECT, além dos dividendos autorizados por lei. Que empresa aguenta isso?

Outra coisa que mudou foi a atitude da direção da empresa. O atual presidente da ECT, parceiro do governo Temer, veio para acabar com a ECT, ou vendê-la, para entregar o mercado postal para os empresários interessados.

Sucateamento e privatização

É isso que ele está fazendo ao não realizar concurso e não contratar mais trabalhadores. Ao não resolver o problema de segurança e parar de atender em áreas que eles chamam de risco. Ao gastar uma fortuna com indenizações por extravio. Ao atacar direitos dos trabalhadores para reduzir gastos com mão de obra, para deixar a empresa mais atraente para quem comprá-la.
Guilherme Campos coloca em prática um plano de sucateamento da empresa, porque no Brasil é isso que fazem com todas as estatais que querem privatizar. Tiram recursos, param os investimentos, jogam a qualidade dos serviços no lixo para a população ficar revoltada e aceitar a privatização como inevitável.

E joga a culpa nos trabalhadores

Ai vem a possibilidade de o assédio moral estar sendo praticado continuamente. A cara de pau de Guilherme Campos choca quem tem consciência do que está acontecendo. Ela joga nas costas do trabalhador toda a carga e a culpa do que estaria criando a crise e o déficit que ele diz que existem e levam a empresa a atender mal a população.

Segundo ele, a problema está no plano de saúde dos trabalhadores, que consome 10% dos recursos da empresa. Na previdência, que consome outros milhões. Nos direitos conquistados ao longo dos anos, como o anuênio e o tíquete.

Ele insiste cotidianamente nisso, para convencer a população e o próprio trabalhador de que não tem jeito, de que tem que cortar direitos para a empresa melhorar, de que, se não melhorar, tem que privatizar.

Grande imprensa, com a Globo à frente, estão na linha de frente da campanha para destruir os direitos dos trabalhadores e a própria empresa.
Mostram os problemas gerados pela falta e demora nas entregas. Incita e revolta a população com a empresa. E mostram a face patronal da mídia brasileira ao não ouvir os dois lados, só o presidente dos Correios, o ministro Kassab e outros membros do governo Temer. Dá voz a eles e a seus argumentos falsos sobre a culpa dos trabalhadores pela situação dos Correios, que culpa a todos, menos à gestão desastrosa de Campos pelo suposto abismo em que está a empresa.

Em nenhum momento os órgãos de imprensa mostram, por exemplo, que a categoria ecetista recebe o menor salário entre as estatais. Não fala do cabide de emprego e da corrupção no Postalis e no Postal Saúde. Nem que os direitos vieram para compensar os baixos salários, e por isso não podem ser retirados.

Mais uma vez os trabalhadores sem vêem naquela situação do guerreiro incompreendido e injustiçado, que é o único certo da história, mas que toma tiro de todo lado e ainda é colocado como vilão. Mas não vamos esmorecer! Nos manteremos em pé e na luta contra a privatização e em defesa dos nossos direitos, sempre!

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